8.10.13

La cum pé r cita



Esse weekend estava com uma breve viagem programada a Buenos Aires depois de muitos anos sem nunca mais ter pisado lá. Como tinha torcido o pé na semana passada, os caminitos tiveram que ser despacitos, como una cum pé r cita comedida (todos sabem espanhol, per supuesto:). Sentei bastante no bar do hotel devorando medias lunas conversando com o expansivo maitre, aprendi mais ainda sobre a falida economia argentina, que sofre de hematomas graves com um peronismo que não dá sinais de sumir. As importações estão todas fechadas, e fiquei feliz de não ver lojas como Vuitton, Dior, ou St Laurent à cada esquina, ufa, basta.
A realidade da crise argentina é essa, não há luxo nem ostentação, muitas lojas fechando, a palavra alquila-se por todo lugar. Pouco vi de lojas, mas no Patio Bullrich uma tarde, analisei as roupas de marcas argentinas esportivas, que estão bem mais baratas do que as brasileiras, mas sem apresentar corte ou charme especial. Os sapatos, bolsas e couros ainda são uma tentação, sempre mais clássicos do que no Brasil. A gastronomia é rica, os cafés convidativos, passei de taxi pelo maior teatro da América Latina, o Colon , uma maravilha de arquitetura. O clima europeu e a hospitalidade me encantaram, pude conferir as novidades da livraria El Ateneo, infelizmente não consegui visitar Puerto Madera nem Palermo Soho. Tive sorte em pegar taxistas maravilhosos, verdadeiros guias, não me enrolaram, são baratos e existem aos montões na capital, que tem calçadas melhores do que as nossas, menos lixo nas ruas, mais arborização. O povo argentino está triste, a falta de esperança geral, e Cristina hoje se submete à uma cirurgia cerebral, continuando a saga argentina dos presidentes enfermos. I cry for you, Argentina, do mesmo modo que pelo nosso Brasil que está doente e tomado pela corrupção .  

                                                


pic heddyd

Aproveito que estamos em semana de literatura (com a feira de Frankfurt começando amanhã:) para indicar o novo lançamento da CosacNaify, Antologia da Literatura Fantástica, com colaboração de Borges, Bioy Casares, e Silvina Ocampo. Lançada na Argentina em 1940, foi ela que impulsionou o ainda efervescente ardor literário pelos contos fantásticos, e contos fantásticos é o que não nos faltam na América Latina, não?



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