1.12.15

Um ensaio meu para Cosac Naify





NO LANÇAMENTO  DO LIVRO GLAMOUR
Triste em saber que a Cosac Naify encerra suas atividades/ Em 2012 participei de um concurso despretensioso da editora, com centenas de outros pretendentes/ O tema era o seguinte: falar de qualquer livro da Cosac, e eu escolhi o livro Glamour, tema que me é muito caro aqui no blog/ Não ganhei, pena,  adoro concursos, já ganhei um de fotografia uma vez,  mas especialmente, também adoro praticar o exercício da escrita/ Abaixo, então, a recordação do meu texto escrito em março de 2012: 





                                             
                                                
                        o nosso querido americano em Paris, Marc Jacobs,  vem sendo justamente homenageado no Musée des Arts Décoratifs, que comemora o seu trabalho há 15 anos na Louis Vuitton.  E é Marc, um grande visionário da moda, que prefaciou o apaixonante livro vermelho GLAMOUR sobre Diana Vreeland. A Cosac Naify é a editora que se especializa em temas cada vez mais artísticos tratados com a qualidade que merecem. A proposta dessa vez é nos deliciar com a talentosa expert em moda, Diana Vreeland, em uma reedição preciosa com uma reunião de fotos de moda e anotações pessoais dela em colaboração (palavra que ela amava) com Christopher Hemphill em 1980.
            Estive presente quando Charles Cosac e Gloria Kalil deram uma palestra memorável em um evento de moda no MuBe em 2011 lançando o livro. Glamour, um conceito importante, mas difícil de definir. Marc gosta da palavra tentação, magnetismo, e também porque não, uma certa excentricidade. Charles Cosac, no evento concorrido, tentou redefinir o que é um ser excêntrico, atributo muitas vezes dados a ele (que estava até bem comportado de terno branco na ocasião:).
Afinal, qualquer um é excêntrico, dependendo dos pontos de vista de nosso mundo cada vez mais globalizado. Mas quem realmente É o ser Glamuroso? Para Jacobs, Diana era paradoxalmente glamurosa, no sentido em que poderia se apaixonar tanto pelo corriqueiro como pelo inusitado. Uma mulher atenta, voraz e criativa, que conseguia notar tudo antes dos outros, também atributo principal dos editores, segundo Marc. Concordo. Ver o que pode ser contestador, a falha que pode ser perfeita, a moda que não é modismo.
O livro Glamour desfila para nós, leitores, uma coleção atemporal de fotos em preto e branco, juntando momentos trompe-l´oeil com informações sobre o que realmente atraiu a atenção de Diana enquanto chefe de revistas influentes. O que mostra o livro? Inevitáveis ícones como Marilyn, próximo cartaz do festival de Cannes. BB, Mick Jagger, noivas de preto, Nureyev e Fred Astaire, a consagração do jeans, a influência que fica, a câmera de Cecil Beaton, a pessoa que não se volta para si, porém para os outros. Tudo isso já basta para ser glamour.
 Para que se preocupar tanto com bom gosto, perguntava Diana? Muita gente tem um gosto horrível e consegue ganhar muito dinheiro com isso. A moda é passageira, uma mera fantasia. Mas a elegância é inata. A gazela é elegante, Audrey Hepburn, também.  E a elegância é recusa, dizia Diana Vreeland.
Hoje não há como recusar que Marc Jacobs, Cinderelo em Paris, conquistou o seu lugar no universo competitivo dos estilistas. Avedon, Man Ray, Nijinski, Maria Callas, e todos os citados nessa resenha, continuarão sendo símbolos de glamour. Diana saiu do óbvio, a tentação do corriqueiro, para arrebatar, palavra que adorava. O luxo do livro da Cosac é a escolha perfeita desse mix arrebatador. Isso é glamour para mim.

 Charles Cosac, o mundo editorial vai sentir falta de teu glamour, eu especialmente, sempre quis editar um livro nas prateleiras de sua casa artística, com a qual mantenho grande identificação 
 
                            Love, Heddy Dayan

                                                                        
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